terça-feira, 13 de outubro de 2009

ENTRE O SOL E A LUA

ENTRE O SOL E A LUA






Eu sempre fui mais chegado ao sol do que a lua. 
Nunca gostei de quarto escuro, sempre preferi ambientes iluminados
 e para a falar a verdade sou uma pessoa mais diurna do que noturna. 
Não troco o dia pela noite.
Porém, confesso: sou um apaixonado pela madrugada.

Quando exercia minha profissão de arquiteto, primava por tentar dar aos ambientes que criava, o máximo de luminosidade possível. Vidro era o material que mais usava. Aliás que bela invenção é o vidro. E o espelho? Não consigo imaginar o que os inventores destes dois artefatos tinham em sua cabeça, quando os bolaram. Dizem aqueles que pesquisam que o espelho data de Roma, a antiga, não a atual. E o espelho do tempo dois reis de França. Não sei é verdade ou não, mas se for, ambos são velhos para burro.

A verdade que mesmo os amantes da noite e das coisas com pouca luz, hão de convir que expressões são o espelho da verdade. Quando você diz que uma pessoa é iluminada, quase sempre a está comparando com a alegria, com a inteligência, com a esperteza. Ao contrário quando alguém comenta que certa pessoa é escura, imediatamente lhe vem a mente que este ser é triste, sem imaginação e de alto pessimismo. Coisas que à vida coube designar.

Entre as pessoas públicas iluminadas, creio que tanto o presidente Obama quanto nosso presidente Lula poderiam estar listados entre elas. Eles exaurem calor e parecem sempre estar prontos a acender um ambiente. Notem que me refiro a Obama como presidente Obama, eu e o resto dos dignitários e habitantes do mundo, à exceção do presidente Lula, que o chama apenas de Obama. Vocês já notaram isto? A intimidade com que Lula trata todos os demais presidentes do mundo. O único a quem ele se digna a dar o cargo antes, é o Papa. Mas talvez por ser novo no cargo. Qualquer dia creio que o verei comentar: “Ô Zé (Joseph Alois Ratzinger é o nome de batismo do atual papa) tu sabe que desde muito tempo ninhum papa foi eleito com a tua idade. Tu já tá mais pra lá do que prá cá. Si tu qué um cheque dos suecos eu ti dou uma mãozinha, como fiz com o Obama. Num tem erro. E se precisar de um olimpíada no Vaticano eu sou o homi, podes crer camaradinha. *






Deixando as brincadeiras de lado, creio que o presidente Lula trate todos de você com certa naturalidade. Não vejo nesta atitude nenhuma tentativa dele estar tentando provar ser nada do que ele realmente não é. Evidentemente que os estudantes da mente alheia irão achar resquícios de um complexo de inferioridade que fazem nosso presidente tentar  demonstrar publicamente, que ninguém é melhor do que ele. Todos são vocês, como ele próprio o é. Discordo. Não sou partidário de Lula, mas reconheço nele existir uma luz. Uma luz interior que o ilumina e as vezes cega a aqueles que estão à sua volta. Ele não é culto, mas longe de ser burro. Poderíamos dizer que ele tem a típica vivacidade da vagabunda. Sabe como achar os ângulos e melhor ainda, como explorar as brechas. Burro é quem acha ele burro.

Aproveita-se de qualquer deixa para se inserir no contexto, e quando dentro do mesmo cresce com uma velocidade assustadora. Age como estivesse acima do bem e do mal, e quando a coisa engrossa ela acha um jeito de viajar. Vai vender bronzeador no pólo norte ou casaco de pele no deserto do Saara.

Tenho especial admiração por pessoas que tenham luminosidade. Os brilho dos olhos, o frescor de um abraço bem dado, o calor de um sorriso honesto, são alguns sintomas da luminosidade que uma pessoa pode ter. Quando estou em um avião saio andando e tentando notar que tipos de pessoas coabitam comigo naquela salsicha de metal. Lua ou Sol.

Nada existe de mal entre os da lua, que não sejam do extremo, os lunáticos. Normalmente, os de primeiro estágio são mais fechados em si, tímidos e costumam sempre manter um pé atrás para com aqueles que exalam muita luz. Os pertencentes ao segundo estágio me apavoram um pouco. Aqueles sorumbáticos, que quase sempre se mostram melancólicos, pessimistas e arredios. E os do terceiro estágio, os lunáticos, destes eu quero distância.

Entre o sol e a lua, eu fico com primeiro. Astro maior, de muito calor e luz. Mas não deixo de admirar a lua, por sua passividade em aceitar a luz do astro maior, sua melancolia de ter tudo escuro â sua volta e sua solidão de saber que enquanto reina, a maioria de seus vassalos, mantém seu olhos fechados.

* não são erros ortográficos. Esta é a forma pela qual nosso presidente fala.
albatrozusa@yahoo.com