quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

QUANDO A PORCA TORCE O RABO



Good companies fix the mistakes
Great companies learn with them

Evidentemente que esta frase (Grandes companhias fixam seus erros, Soberbas companhias aprendem com eles) deve ter custado milhões a Toyota para tentar de alguma forma cativar a confiança perdida por seus carros. Marqueteiro cobra muito caro, o PT que o diga... Mas valeu a pena.

Pois a ideia, não é apenas minimizar os prejuízos que a companhia está tendo com os milhares de recalls  (chamadas de volta à concessionárias para concertos de defeitos de fabricação). Estes não tem como ser recuperados. A luta agora é pelo futuro da companhia aqui nos Estados Unidos. Luta insana, a partir de agora.

O norte-americano tem na segurança seu mais alto ponto, seja em carros, aeronaves, trens ou mesmo o próprio pais. Criaram até um órgão depois do 9/11 apenas para unir o FBI, a CIA e todos os outros segmentos responsáveis pela segurança do pais.

Para se ter uma ideia, o execrável George Bush ganhou 4 anos a mais de governo, convencendo o povo que se a segurança não fosse reforçada e o Iraque e o Afeganistão invadidos, iria custar muito caro aos Estados Unidos resistir aos ataques da turma de Osama Bin Laden. Seu terrorismo social funcionou, e o terrorismo politico dos muçulmanos passou a ser a visto como o inimigo número um contra o bem estar estaduniense.  E o pais foi a banca rota.

Eu sempre fui partidário do carro feito na Alemanha e nunca entrei nesta que o carro japonês era igual, mais barato, gastava menos gasolina e tinha uma garantia maior. Por isto deveria ser comprado.

Nos Estados Unidos você aprende no primeiro minuto que aqui coloca seus pés, que você recebe pelo que paga. Nada aqui vem de graça ou como bónus. Você paga, você tem. Aquele que o vende pisa na jaca, você chia e ele tem que se entender como o NHTSA, uma espécie de Procon, mas que funciona e leva o caso ao senado, onde normalmente a coisa fede para o infrator.

Pisar na jaca aqui nos Estados Unidos é uma coisa. Mas depois disto mijar fora do penico a coisa fede, pois aqui não tem esta coisa bem brasileira se de trocar sentença por apartamento em Miami. Ainda mais se você é uma companhia japonesa que arranha com os interesses nacionais de outras grandes companhias como a GM, a Ford, a Chrysler.

E infelizmente foi o que a Toyota fez depois de ter pisado na jaca. Um total de 39 pessoas morreram e suas mortes foram atribuídas ao problema do acelerador de seus veículos. Em alguns casos ele não voltava atrás quando tirado o pé, em outros voltava com uma lentidão proibitiva. Serão 8,5 milhões de carros a seres consertados. O primeiro caso de morte aconteceu em San Diego em 2007. E a coisa só teve a real atenção da Toyota, no final do ano passado.

Isto para o norte-americano é inadmissível. Porém, eles convenientemente se esquecem que em 2004 a General Motors teve um grande recall, e antes disto a Ford o fizera. Até a industria farmacêutica foi atingida quando a companhia que fabricava o Tylenol descobriu que seu produto fora adulterado.

Esquecem também que para a NHTSA ter uma acusação a um provedor levada a sério, necessitam de pelo menos 5 reclamações. Há casos da necessidade ser de 15,000. E no caso dos recalls automobilísticos, são uma média de 262 dias entre o inicio do processo e a emissão para o recall.

Mas o certo é que a Toyota dormiu no ponto. Esperou muito para dar uma satisfação. E aqui, satisfação cola. No Japão nem tanto. Os nipônicos exigem por medidas saneadoras. Distintas civilizações. Um preço que a Toyota tem que se pagar por trabalhar em um pais estranho e dominar um mercado, cujos adversários passam por sérios problemas financeiros.

Os especialistas da NHTSA tiveram que ir ao Japão, para que o presidente desta grande companhia viesse ontem apresentar suas desculpas e explicações à comissão do Senado norte-americano. E o mais importante de tudo, garantir a qualidade de segurança de seu produto a médio e longo prazo. Pois é aí que a porca torce o seu rabo!

Existem interesses comerciais entre Estados Unidos e Japão, como também o fechamento de uma Toyota na atual conjuntura, faria que o índice de desemprego e o equilíbrio social fossem atingidos negativamente. Quantos empregados de concessionárias e operários da fábrica estariam a procura de um novo emprego?

Todos pisam em ovos, enquanto a Toyota não consegue tirar seu pé da jaca.